top of page

N° 01/2026·Série Científica SBURS

Atualização Científica

MISTs no tratamento da HPB: seleção adequada do paciente e perspectivas para a prática clínica

Resumo do Webinar SBURS – 22 de julho de 2026

22 de julho de 2026

Data do webinar

Departamento de HPB

DEPARTAMENTO

HPB · MISTs

TEMA

Atualização Científica SBURS

DOCUMENTO

Introdução

O primeiro webinar da nova série científica da Sociedade Brasileira de Urologia – Seccional Rio Grande do Sul reuniu especialistas nacionais e internacionais para discutir um dos temas mais atuais da urologia: o papel das Minimally Invasive Surgical Therapies (MISTs) no tratamento dos sintomas do trato urinário inferior (LUTS) secundários à hiperplasia prostática benigna (HPB).

Conferência (Aula Magna)

Prof. Dean Elterman - (University of Toronto, Canadá)

Discussão de Caso Clínico

Dr. Mauro Thomé Lopes · Dr. Pablo Cambeses · Dr. Felipe Pioner

Aula magna: onde os MISTs se posicionam atualmente?

O tratamento da HPB deixou de ser uma escolha limitada entre terapia medicamentosa e cirurgia convencional. Os MISTs oferecem uma alternativa intermediária, com procedimentos ambulatoriais, menor invasividade, recuperação rápida e menor impacto sobre a função sexual. Aproximadamente metade dos pacientes permanece insatisfeita com o tratamento medicamentoso a longo prazo. O sucesso do tratamento depende da adequação entre as expectativas do paciente e as características do procedimento.

A importância da seleção do paciente

Não existe um perfil etário específico para indicação dos MISTs. Os principais fatores para seleção incluem anatomia prostática, presença de lobo mediano, volume prostático, protrusão intravesical, função vesical e expectativas quanto à preservação da ejaculação. O ultrassom transretal foi destacado como exame fundamental para o planejamento terapêutico, complementado pela cistoscopia quando necessário.
 

  • Anatomia prostática

  • Presença de lobo mediano

  • Volume prostático

  • Protrusão intravesical

  • Função vesical

  • Expectativas quanto à preservação da ejaculação

RESUMO: principais evidências apresentadas

  • Melhora consistente do IPSS

  • Aumento sustentado do Qmax

  • Manutenção da função erétil

  • Baixa incidência de disfunção ejaculatória quando a técnica é corretamente executada

  • Possibilidade de tratamento do lobo mediano

  • Bons resultados também em próstatas maiores

  • Resultados favoráveis em pacientes com retenção urinária previamente cateterizados
     

Foram discutidos resultados favoráveis em pacientes com retenção urinária previamente cateterizados.

  • Necessidade rotineira de cateter vesical no pós-operatório

  • Sintomas irritativos transitórios relativamente frequentes

  • Contraindicação após radioterapia prostática

  • Menor indicação em pacientes com contratilidade vesical significativamente comprometida

Limitações importantes

Urodinâmica

O estudo urodinâmico pode auxiliar quando há dúvida entre obstrução infravesical, hipoatividade detrusora e hiperatividade vesical predominante.

O futuro: FIT Therapy

O conceito de FIT Therapy propõe individualizar a escolha do tratamento conforme características anatômicas, funcionais e preferências do paciente.

Discussão do painel SBURS

Foi discutido um caso clínico de um homem de 67 anos, com LUTS moderados, próstata de aproximadamente 42 g, sexualmente ativo e com interesse em preservar a ejaculação.

Diagnóstico cada vez mais preciso

  • Maior utilização da ultrassonografia prostática pelo próprio urologista

  • Importância da avaliação do volume prostático, lobo mediano, uretra prostática e protrusão intravesical

  • Papel complementar da cistoscopia
     

Preservação da ejaculação: um novo desfecho clínico

  • A preservação da ejaculação deve ser considerada na decisão terapêutica

  • É fundamental diferenciar função erétil de função ejaculatória

  • Nenhuma tecnologia preserva a ejaculação em 100% dos casos
     

Retratamento não significa necessariamente falha
O retratamento deve ser interpretado dentro do contexto das expectativas previamente discutidas com o paciente.

Custo-efetividade e realidade brasileira
Apesar do maior custo inicial, estudos sugerem boa relação custo-efetividade em comparação ao tratamento medicamentoso prolongado. A cobertura pelos sistemas financiadores ainda limita a expansão dessas tecnologias.

O que ainda falta?

  • Estudos comparativos diretos entre diferentes MISTs

  • Maior tempo de seguimento

  • Melhor definição das indicações

  • Refinamento da seleção dos pacientes

  • Consolidação de dados nacionais

Mensagens práticas para o urologista

01 - Os MISTs representam uma opção terapêutica consolidada para pacientes cuidadosamente selecionados

02 - A anatomia prostática permanece como principal determinante da escolha da técnica

03 - Ultrassonografia e cistoscopia são fundamentais no planejamento terapêutico

04 - A preservação da ejaculação deve ser discutida de forma objetiva

05 - A decisão compartilhada é elemento central da escolha terapêutica

06 - O retratamento deve ser interpretado conforme as expectativas previamente estabelecidas

07 - Mais evidências sobre durabilidade, custo-efetividade e comparação entre tecnologias ainda são necessárias

Em conjunto, as apresentações demonstraram que os MISTs ampliam o arsenal terapêutico do urologista e favorecem uma abordagem cada vez mais personalizada, baseada na anatomia, nos objetivos clínicos e nas preferências do paciente.

bottom of page